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Short story

A doceria dos três irmãos

Three siblings who barely speak inherit their father's sweet shop in Pelotas, with a condition in the will that none of them wanted.

Tap a dotted word for its meaning.

Words to know (12)
  • o quindim · egg-yolk and coconut custard
  • o bem-casado · filled sponge sweet, given at weddings
  • a caçula · youngest child
  • administrar · to run, manage
  • a licença · leave (from work)
  • de cor · by heart
  • a borracha · rubber
  • os fios de ovos · sweet egg threads
  • a vitrine · display window
  • mexer · to stir
  • o tacho · large cooking pan
  • separar-se · to separate, get divorced

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Seu Otávio passou cinquenta anos atrás do balcão da Doceria Otávio, no centro de Pelotas, vendendo camafeus e para a cidade inteira. Quando ele morreu, em março, os três filhos voltaram para casa pela primeira vez em muitos anos. Helena, a mais velha, era advogada em Porto Alegre. Sérgio, o do meio, trabalhava com tecnologia em São Paulo. Mariana, a era atriz no Rio e estava, como ela mesma dizia, “entre dois trabalhos”.

Os três mal se falavam. Não tinha acontecido nenhuma grande briga, só anos de aniversários esquecidos e ligações curtas. No dia da leitura do testamento, eles se sentaram longe um do outro. O advogado leu: a doceria ficaria para os três, com uma condição. Eles teriam de o negócio juntos durante um ano. Só depois disso poderiam vender. Se algum deles desistisse antes, a doceria passaria para Dona Iracema, a funcionária mais antiga.

Helena queria vender no primeiro dia possível. Sérgio queria transformar a doceria numa marca, com loja virtual e entrega para o país inteiro. Mariana só sabia que não queria ver a doceria do pai fechada. Mesmo assim, os três aceitaram a condição. Helena pediu do escritório, Sérgio passou a trabalhar a distância, e Mariana, que não tinha nada a perder, voltou para o seu antigo quarto.

Na primeira semana, descobriram uma coisa terrível: nenhum deles sabia fazer os doces. O pai nunca tinha escrito as receitas. Quem sabia tudo de era Dona Iracema, que trabalhava ali havia trinta e oito anos. Ela olhou para os três com os braços cruzados. “Eu ensino”, disse. “Mas é preciso que vocês venham juntos. Os três. Todo dia, às cinco da manhã.”

Os primeiros meses foram um desastre. O de Helena saiu duro como Os de ovos de Sérgio viraram omelete. Mariana queimou duas panelas de doce de leite. E eles brigavam o tempo todo: sobre o preço, sobre a sobre quem tinha deixado o forno ligado. Dona Iracema não dizia nada. Só mandava

Mas, aos poucos, alguma coisa mudou. Às cinco da manhã, com as mãos sujas de açúcar, era difícil continuar bravo. Eles começaram a conversar enquanto o Helena contou que estava se Sérgio confessou que odiava o emprego em São Paulo. Mariana admitiu que estava sem dinheiro havia meses. E descobriram que o pai tinha ligado para cada um deles, no último ano, com a mesma pergunta: “Quando é que vocês três vêm me visitar juntos?”

Em fevereiro, onze meses depois, um empresário de uma grande rede de cafés apareceu com uma proposta generosa pela doceria. Os três se olharam por cima do balcão. Ninguém precisou falar. Helena, que tinha passado a vida negociando contratos, respondeu por todos: “Obrigada, mas não está à venda.”

No último dia do prazo, Dona Iracema tirou do armário uma caixa de sapatos. Estava cheia de receitas, todas com a letra do seu Otávio. “Ele me deu isto antes de morrer”, contou ela. “E me pediu para guardar até vocês aprenderem a fazer os doces sem elas.” Ela sorriu pela primeira vez em um ano. “O seu pai dizia que doce de ovos só dá certo quando a gente junto, sem parar. Acho que ele não estava falando só de doce.”

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1. What was the condition in seu Otávio's will?

2. Who knew all the recipes by heart?

3. What had their father asked each of them in his last year?

4. What was in the shoebox?