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Short story

O Saci da pousada

A skeptical city man on vacation in São Luiz do Paraitinga decides to prove that the strange things happening at his guesthouse have a logical explanation.

Tap a dotted word for its meaning.

Words to know (12)
  • achar graça · to find funny
  • o gorro · cap, knitted hat
  • o cachimbo · pipe (for smoking)
  • a bagunça · mess, mischief
  • a lembrancinha · little souvenir
  • sumir · to disappear, go missing
  • a trança · braid
  • a crina · mane (of a horse)
  • a isca · bait
  • a mangueira · mango tree
  • o redemoinho · whirlwind
  • o assobio · whistle

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Henrique só acreditava no que podia ver. Por isso, quando chegou a São Luiz do Paraitinga, uma cidadezinha histórica no interior de São Paulo, achou nas lojas cheias de bonecos do Saci: o menino negro de uma perna só, com vermelho e que gosta de fazer “É só folclore para vender ele disse para Dona Cida, a dona da pousada. Ela apenas sorriu.

Na primeira noite, uma meia de Henrique Só uma. Na segunda, ele encontrou o açúcar do café da manhã trocado por sal. Na terceira, o seu Zé, que cuidava dos cavalos, apareceu preocupado: alguém tinha feito na de todos os animais. “Foi o Saci”, disse Dona Cida, tranquila, enquanto passava café. “Ele sempre faz isso quando chega gente que duvida dele.”

Henrique riu, mas ficou incomodado. Ele tinha certeza de que havia uma explicação lógica. Um hóspede brincalhão, talvez, ou um gato. Ele queria provas. Naquela noite, colocou o celular em cima do armário, filmando o quarto inteiro, e deixou uma meia nova no chão, como “Amanhã eu vou mostrar para todo mundo quem é o Saci”, pensou, antes de dormir.

De manhã, a meia não estava mais lá. O celular também não. Henrique procurou embaixo da cama, dentro da mala, no banheiro. Finalmente, ouviu um barulho lá fora e foi até a janela. O celular estava pendurado no galho mais alto de uma balançando com o vento, e ainda gravando.

Seu Zé subiu na árvore com uma escada e trouxe o aparelho. Todos se reuniram na cozinha para ver o vídeo. Durante horas, não acontecia nada. Às três da manhã, a janela se abriu sozinha. Entrou um de folhas secas, que girou pelo quarto, passou pela meia e foi direto para o armário. Depois a imagem ficou escura. No fim do vídeo, só se ouvia uma coisa: um fino e uma risada curta.

“Pode ter sido o vento”, disse Henrique, com a voz fraca. “Pode”, concordou Dona Cida. “O Saci anda dentro do sabia?” Ninguém disse mais nada. Henrique tomou o café sem açúcar, porque não confiava mais no açucareiro.

Dois dias depois, já em casa, em São Paulo, ele abriu a mala para lavar a roupa. Entre as camisetas, dobrado com cuidado, havia um gorrinho vermelho de lã, do tamanho de uma mão. Henrique ficou olhando para ele por muito tempo. Depois o guardou numa gaveta e nunca contou essa parte para ninguém. Mas, desde então, quando um amigo diz que folclore é bobagem, ele apenas sorri, como Dona Cida.

Comprehension check

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1. What did Henrique think about the Saci dolls in the shops at first?

2. What happened to the horses on the third night?

3. Where did Henrique find his phone?

4. What did Henrique find in his suitcase at home?