Short story
A garrafa de 1998
A fisherman in Paraíba finds an old bottle on the beach with a letter from a girl who wrote it decades earlier.
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Words to know (10)
- o chinelo · flip-flop
- abaixar-se · to bend down
- enrolado · rolled up
- caprichado · neat, done with care
- devolver · to give back
- compartilhar · to share
- a matéria · news story, article
- apertar a mão · to shake hands
- a jangada · traditional wooden sailing raft of the Nordeste
- demorar · to take a long time
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Seu Damião pescava na Baía da Traição, no litoral da Paraíba, desde os doze anos. Já tinha encontrado de tudo na areia: bolas, pedaços de barco, até uma geladeira. Por isso, quando viu uma garrafa verde presa nas pedras numa manhã de maio, quase não se para pegá-la. Mas dentro dela havia um papel e a curiosidade foi mais forte.
O papel estava amarelo, mas a letra, redonda e ainda se lia bem. “Recife, 3 de janeiro de 1998. Para a pessoa que achou esta garrafa: meu nome é Renata, tenho dez anos. Meu pai era pescador e o mar levou ele no ano passado. Eu quero que o mar me alguma coisa, então estou mandando esta carta. Por favor, me escreva. Espero que você seja feliz.” Embaixo havia um endereço de Recife e um desenho de um barquinho.
Damião leu a carta três vezes, sentado na pedra. Depois a levou para casa e mostrou para a sobrinha, Kelly, que estudava jornalismo em João Pessoa. “Tio, essa carta tem vinte e oito anos!”, disse ela. “Essa menina hoje é uma mulher. Duvido que ela ainda more nesse endereço. Mas a gente pode tentar a internet.”
Kelly tirou uma foto da carta e escreveu um post contando a história. Em dois dias, a foto tinha sido milhares de vezes. Um jornal de Recife publicou uma e uma rádio ligou para Damião, que não sabia o que dizer e só repetia: “Eu só achei uma garrafa.”
Na sexta-feira, Kelly recebeu uma mensagem. “Meu nome é Renata Siqueira. Acho que essa carta é minha.” Ela tinha trinta e oito anos, era professora de ciências e tinha uma filha de nove. Contou que já nem se lembrava da garrafa, mas que tinha chorado quando viu o desenho do barquinho, porque era o barco do pai.
Duas semanas depois, Renata e a filha chegaram à Baía da Traição num carro alugado. Damião estava esperando na praia, de camisa nova, e não sabia se a mão dela ou se dava um abraço. Ela resolveu o problema: abraçou o pescador como um velho amigo.
Naquela tarde, ele levou as duas para pescar na A menina pegou um peixe pequeno e gritou de alegria. Renata ficou um tempo calada, olhando o mar. “Eu pedi para o mar me alguma coisa”, disse ela, por fim. mas
Antes de ir embora, a filha de Renata deu uma garrafa a Damião. Dentro havia uma carta nova, escrita com a mesma letra redonda da mãe. “Para o senhor jogar no mar”, explicou ela, séria. “Assim outra pessoa também vai ter sorte.”
Comprehension check
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1. Why did Renata write the letter as a child?
2. How did Kelly find Renata?
3. Why did Renata cry when she saw the letter again?
4. What did Renata's daughter give Damião before leaving?