Short story
As pegadas ao contrário
A truck driver lost at night in the Amazon rainforest of Pará follows a line of footprints, hoping they will lead him to help.
Tap a dotted word for its meaning.
Words to know (11)
- furar · to get a flat (tire)
- a lanterna · flashlight
- descalço · barefoot
- aliviado · relieved
- gelar · to freeze
- o facão · machete
- virado para trás · turned backwards
- o suor · sweat
- a muda · seedling
- o fumo · tobacco
- a rapadura · block of raw brown sugar
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Valdir dirigia caminhão havia vinte anos e nunca tinha tido medo de estrada. Mas aquela não era uma estrada de verdade. Era um caminho de terra aberto no meio da floresta, no sul do Pará, por onde passavam à noite caminhões carregados de madeira. Ninguém fazia perguntas, e o pagamento era bom. Valdir preferia não pensar muito no assunto.
Naquela noite, a vinte quilômetros do acampamento, os dois pneus da frente ao mesmo tempo. Não havia sinal no celular. Valdir esperou uma hora, mas nenhum outro caminhão apareceu. Então pegou a e resolveu andar. Logo encontrou pegadas na lama, pegadas de pés pequenas, como de uma criança. “Deve ter uma comunidade aqui perto”, pensou, e começou a seguir as marcas.
Andou durante horas. A floresta foi ficando mais fechada, e os sons mudaram: macacos gritando, folhas caindo, um assobio fino que parecia vir de todos os lados. O GPS do celular girava sem parar, sem saber onde ele estava. E então Valdir viu uma coisa que fez o seu sangue a mesma árvore caída, com a mesma marca de pela terceira vez. Ele estava andando em círculos.
Foi aí que ele se lembrou de uma história que a avó contava em Marabá, quando ele era menino. Ela falava do Curupira, o protetor da floresta, um menino de cabelo vermelho como fogo e com os pés para trás. Quem segue as pegadas do Curupira acha que está indo para a frente, mas está indo para longe de casa. “Ele só deixa sair quem não vai fazer mal para a mata”, dizia a avó.
Valdir se sentou no chão, molhado de Pela primeira vez, pensou nas árvores que tinha carregado, centenas delas, cada uma mais velha do que a cidade onde ele nasceu. Ficou com vergonha. E então, sem saber muito bem para quem falava, disse em voz alta: “Me deixa sair, por favor. Eu prometo que não volto mais aqui com caminhão.”
Ninguém respondeu. Mas, minutos depois, ele ouviu uma risada curta atrás de uma árvore e viu, por um segundo, algo vermelho se mexendo entre as folhas. Valdir seguiu na direção oposta à das pegadas. Em menos de meia hora, chegou a uma estrada de verdade, de asfalto, onde havia uma placa e um posto de fiscalização ambiental.
Hoje Valdir ainda dirige caminhão, mas leva de árvores para um projeto de reflorestamento perto de Paragominas. Ele nunca contou a ninguém por que mudou de trabalho. Mas os colegas acham estranho um costume dele: toda vez que para na beira da mata, deixa no chão um pouco de e um pedaço de “É para um amigo”, ele diz, e não explica mais nada.
Comprehension check
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1. What kind of work was Valdir doing at the start of the story?
2. Why did Valdir follow the footprints?
3. How did Valdir realize he was walking in circles?
4. What does Valdir do now?