Short story
Cinco dias de rede
A young man from São Paulo loses his phone on the first day of a five-day boat trip up the Amazon from Belém to Manaus.
Tap a dotted word for its meaning.
Words to know (11)
- a rede · hammock (also: social network)
- o varal · clothesline
- o corrimão · handrail
- o casco · hull (of a boat)
- a castanha · Brazil nut
- amarrar · to tie
- a palafita · stilt (under a riverside house)
- remar · to paddle, row
- o boto · river dolphin
- a cheia · flood, high-water season
- o barro · clay, mud
Select any text to highlight it, or a word to translate it or save it to your flashcards.
Lucas tinha vinte e quatro anos e um plano: subir o rio Amazonas de barco, de Belém até Manaus, e postar tudo nas sociais. Comprou uma colorida no Ver-o-Peso, pagou a passagem mais barata e embarcou num barco de três andares, onde centenas de pessoas dormiam em penduradas lado a lado, como roupa num
Na primeira tarde, o pôr do sol sobre o rio estava tão bonito que ele subiu no para tirar uma selfie. O barco balançou. O celular escorregou da mão dele, bateu no e desapareceu na água marrom. Lucas ficou olhando para o rio, sem acreditar. Atrás dele, uma senhora de cabelo grisalho e vestido florido, comentou: “Pronto, meu filho. Agora você vai ter que conversar com gente.”
Era Dona Socorro, que fazia aquela viagem todo mês para vender farinha e Ela conhecia todo mundo no barco: o comandante, o cozinheiro, as crianças que corriam entre as No segundo dia, apresentou Lucas a um menino chamado Kauã, que ensinou o rapaz a a do jeito certo, para não acordar com as costas doendo.
Sem celular, Lucas descobriu que o tempo passava de outro jeito. Ele ficava horas olhando a margem: casas de madeira em cima de crianças que canoas até o barco para vender açaí, cor-de-rosa que apareciam e sumiam. Comprou um caderno numa parada em Santarém e começou a desenhar tudo o que via. Desenhava mal, mas não parava.
À noite, Dona Socorro contava histórias. Falou da de 2009, quando a água entrou na casa dela, e do marido, que tinha sido pescador e conhecia o rio “como a palma da mão”. Lucas contou da vida em São Paulo, do trânsito, do apartamento pequeno. “Lá eu tenho mil amigos no celular”, disse ele, “e ninguém para conversar de verdade.” Ela riu. “Aqui é o contrário.”
No quinto dia, perto de Manaus, todos subiram para ver o encontro das águas: o rio Negro, escuro como café, e o Solimões, cor de correndo lado a lado sem se misturar durante quilômetros. Lucas desenhou as duas cores com cuidado. Dona Socorro olhou o desenho e disse que era o melhor do caderno.
Em Manaus, ele comprou um celular novo. Os amigos de São Paulo pediram fotos da viagem, e ele não tinha nenhuma. Mandou, então, a foto de uma página do caderno: um barco torto, duas águas que não se misturam e, embaixo, escrito com letra caprichada, o endereço de Dona Socorro em Óbidos. Ela não tinha internet. Lucas já tinha prometido que escreveria uma carta por mês.
Comprehension check
0/4 answered
1. How did Lucas lose his phone?
2. What did Kauã teach Lucas?
3. What is the "encontro das águas"?
4. What did Lucas promise Dona Socorro?