Short story
A guia e o professor
On her first week as a tour guide in Paraty, a young woman is followed by an old man who keeps correcting her.
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Words to know (11)
- o sobrado · two-story colonial house
- a bengala · cane
- inclinado · sloping, tilted
- escorrer · to run off, drain
- a maré · tide
- os escravizados · enslaved people
- a obra · construction work
- o arquivo · archive
- a pasta · folder
- conferir · to check
- o prefácio · preface
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Camila tinha estudado durante meses para ser guia em Paraty. Tinha lido todos os livros sobre a cidade, principalmente um, grosso e cheio de notas, escrito por um tal de A. Lacerda, que ela levava na bolsa para todo lado. Na primeira semana de trabalho, sabia de cor a história de cada igreja, de cada colonial e de cada pedra das ruas do centro histórico.
Logo no primeiro passeio, porém, apareceu um problema. No grupo havia um senhor baixinho, de óculos redondos e que fazia perguntas difíceis. Quando Camila explicou que as ruas eram para o centro para a água da chuva ele levantou a mão. “E a minha filha? Não se esqueça da Ela respondeu, um pouco irritada, que já ia falar disso. E falou: nas noites de lua cheia, a água do mar entra pelas ruas e lava as pedras, como os construtores tinham planejado no século XVIII.
O senhor sorriu e continuou o passeio. Na frente da igreja de Santa Rita, corrigiu um detalhe sobre os que trabalharam na No porto, acrescentou uma informação sobre o Caminho do Ouro, a estrada de pedra por onde descia o ouro de Minas Gerais para ser levado de navio para Portugal. Tudo o que ele dizia era interessante, e os turistas adoravam. Camila, não.
No dia seguinte, ele estava no grupo de novo. E no outro também. No terceiro dia, na frente da igreja de Nossa Senhora das Dores, o senhor afirmou que ela tinha sido construída em 1820. Camila respirou fundo. “Desculpe, mas não foi”, disse. “Foi começada em 1800. Eu vi o documento no da prefeitura. Os livros erram essa data.”
Fez-se um silêncio no grupo. O senhor tirou os óculos, limpou as lentes devagar e olhou para ela com atenção. “Que documento?”, perguntou. Camila explicou onde ele estava guardado, em que caixa e em que O velho ouviu tudo sem interromper. Depois, para surpresa de todos, começou a bater palmas.
No fim do passeio, ele se aproximou e estendeu a mão. “Aurélio Lacerda”, disse. “Fui professor de história por quarenta anos. Escrevi aquele livro que está aparecendo na sua bolsa.” Camila ficou vermelha até as orelhas. Ele riu. “Não se preocupe. Eu venho aos passeios de todos os guias novos. A maioria repete o meu livro, com os meus erros. Você foi a primeira que foi os documentos.”
Ele contou que estava preparando uma nova edição do livro e que gostaria muito de ter a ajuda dela para revisar as datas. Camila aceitou na hora. Hoje, na segunda edição, há uma frase nova no “Agradeço à guia Camila Rocha, que me ensinou que um bom historiador nunca deve confiar em um livro, nem mesmo no seu.”
Comprehension check
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1. Why are the streets of Paraty inclined toward the center?
2. What happens on full-moon nights in Paraty?
3. How did Camila know the old man's date was wrong?
4. Who was the old man?