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Short story

A mula sem cabeça

In the old town of Pirenópolis, people start hearing hoofbeats and seeing sparks in the streets at midnight, and a police sergeant has to investigate.

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Words to know (11)
  • galopar · to gallop
  • o pescoço · neck
  • o casco · hoof
  • a faísca · spark
  • a assombração · ghost, haunting
  • o farol · headlight
  • frear · to brake
  • a motoneta · moped, small scooter
  • o cano de escape · exhaust pipe
  • a garupa · back seat (of a motorcycle)
  • a vaquinha · pooling money (a group collection)

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Pirenópolis, em Goiás, é uma cidade de ruas de pedra, igrejas antigas e muitas histórias. Uma das preferidas dos mais velhos é a da mula sem cabeça: dizem que, nas noites de quinta para sexta-feira, ela pelas ruas, soltando fogo pelo e que quem a vê não consegue dormir por uma semana. Ninguém levava isso muito a sério, até o mês de agosto daquele ano.

Primeiro foi o seu Fausto, dono de um bar na Rua Direita. Ele jurou que, à meia-noite, tinha ouvido um barulho de nas pedras e visto passando rápido pela rua, sem cabeça nenhuma em cima. Depois foi um casal de turistas de Brasília, que voltava de um restaurante. Na semana seguinte, mais três pessoas contaram a mesma história. Em pouco tempo, um vídeo tremido e escuro estava circulando nos grupos da cidade.

O sargento Wellington, da polícia local, não acreditava em Mas o prefeito pediu para ele investigar, porque os turistas estavam com medo de sair à noite e os restaurantes estavam perdendo clientes. Então, numa quinta-feira, o sargento se escondeu atrás de uma árvore perto da igreja Matriz, com uma lanterna e uma garrafa térmica de café, e esperou.

À meia-noite em ponto, ele ouviu. Era um barulho estranho, metálico, como um cavalo correndo nas pedras. E então viu: uma sombra preta vinha descendo a rua, sem soltando laranja por baixo. De longe, não dava para ver cabeça nenhuma. O sargento sentiu um frio na barriga, respirou fundo e pulou na frente da sombra com a lanterna acesa. “Parada! Polícia!”

A sombra com um grito. Era uma velhíssima, sem com o de escape solto, batendo nas pedras e soltando Em cima dela estava Dona Celeste, a padeira, de setenta anos, toda vestida de preto, com um capacete preto e um casaco preto até o queixo. Na havia uma caixa enorme de pão de queijo e biscoito.

Dona Celeste explicou, ofendida, que fazia entregas todas as noites para as fazendas da região, que precisavam do pão antes do sol nascer. O tinha queimado em julho e o estava solto havia semanas, mas o mecânico só podia consertar em setembro. “E eu me visto de preto porque é mais elegante”, completou. O sargento não conseguiu segurar o riso.

A história se espalhou mais rápido do que o vídeo. Os comerciantes da Rua Direita fizeram uma e, em dois dias, a tinha novo e de escape no lugar. Mas aconteceu uma coisa curiosa: os turistas ficaram decepcionados. Muitos tinham vindo justamente para ver a mula.

Por isso, hoje, toda quinta-feira à meia-noite, Dona Celeste faz um passeio especial pela Rua Direita, devagar, de capacete preto e com uma luzinha vermelha no lugar da cabeça. Os turistas pagam para seguir a “mula” até a padaria, onde há café quente e pão de queijo saindo do forno. Dizem que é o passeio noturno mais famoso de Goiás.

Comprehension check

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1. According to the legend, what does the headless mule do?

2. Why did the mayor ask the sergeant to investigate?

3. What made the sparks?

4. What does Dona Celeste do every Thursday now?