Deep End
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Short story

A parede mais antiga

A graffiti artist from São Paulo reluctantly visits the prehistoric rock paintings of the Serra da Capivara, in Piauí.

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Words to know (11)
  • o grafiteiro · graffiti artist
  • a caatinga · dry scrubland of the Northeast
  • dar trégua · to let up, give a break
  • o paredão · large rock wall, cliff face
  • o veado · deer
  • o caçador · hunter
  • o traço · line, stroke (in drawing)
  • o arrepio · shiver
  • o abrigo · rock shelter
  • o ombro · shoulder; (dar de ombros) to shrug
  • a autorização · permission

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Renan era em São Paulo e só aceitou ir para o Piauí porque o amigo Matheus pagou metade da passagem. “Pintura nas pedras?”, ele tinha perguntado, sem entusiasmo. “Eu pinto parede há quinze anos. Já vi muita pintura.” Matheus só respondeu que ele ia mudar de ideia.

O Parque Nacional da Serra da Capivara fica no sul do Piauí, perto da cidade de São Raimundo Nonato. É um lugar de cânions vermelhos, seca e um calor que não dá Lá existem milhares de pinturas feitas nas rochas por povos que viveram na região há milhares de anos. Algumas, segundo os arqueólogos, estão entre as mais antigas das Américas.

A guia deles se chamava Jéssica. Tinha nascido ali perto e conhecia cada trilha do parque. No primeiro ela apontou para umas figuras vermelhas, pequenas, do tamanho de uma mão. Renan ficou decepcionado. Esperava uma coisa enorme. Mas Jéssica pediu para ele chegar mais perto e olhar com calma.

Então ele começou a ver. Havia correndo, com as pernas no ar. Havia pessoas dançando em volta de uma árvore. Havia um grupo de homens que pareciam brigar e, num canto, duas figuras que se abraçavam. Os eram rápidos, seguros, sem medo. Renan, que entendia de sentiu um “Quem fez isso sabia muito bem o que estava fazendo”, disse, baixinho.

No fim da tarde, Jéssica levou os dois até um mais escondido, longe dos turistas. Lá, numa pedra baixa, havia uma pintura que ela disse ser a sua preferida: um adulto com uma criança nos os dois de braços levantados, olhando para o céu. Renan ficou parado na frente dela durante muito tempo. Lembrou do pai, que o levava nos para ver os fogos no Ano-Novo, na avenida Paulista.

“Por que eles pintavam?”, ele perguntou finalmente. Jéssica deu de “Ninguém sabe ao certo. Para contar histórias, para os filhos aprenderem, para os deuses... Talvez pelo mesmo motivo que você pinta.” Renan riu, mas não respondeu. Era a primeira vez que alguém comparava o trabalho dele com uma coisa tão antiga, e ele não sabia se ria ou se chorava.

De volta a São Paulo, ele passou uma semana sem pintar. Depois pediu ao dono de um prédio em Pinheiros e, em cinco dias, cobriu uma parede de dez andares com uma única imagem, em vermelho sobre fundo cor de terra: um adulto com uma criança nos olhando para cima. Embaixo, em letras pequenas, escreveu: “Serra da Capivara, Piauí. Pintado de novo, milhares de anos depois.”

Uma semana mais tarde, recebeu uma mensagem de Jéssica, com a foto do mural que alguém tinha postado na internet. Era curta: “Agora são duas paredes. Quando você vem pintar a terceira?”

Comprehension check

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1. Why did Renan agree to go to Piauí?

2. How did Renan feel at the first rock wall?

3. What did Jéssica's favorite painting show?

4. What did Renan do back in São Paulo?