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Short story

O mistério do sexto andar

In a quiet apartment building in Curitiba, warm bread starts appearing at every door, and the building manager decides to find out who is leaving it.

Tap a dotted word for its meaning.

Words to know (12)
  • o saquinho · little bag
  • a síndica · building manager (elected by residents)
  • o porteiro · doorman
  • jurar · to swear
  • riscar · to cross out
  • o miojo · instant noodles
  • a erva-doce · fennel, aniseed
  • o despertador · alarm clock
  • viúvo · widowed
  • derrubar · to drop, knock over
  • o padeiro · baker
  • o salão de festas · party room of a building

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No Edifício Araucária, no bairro do Batel, em Curitiba, os moradores quase não se falavam. Eles se cumprimentavam no elevador com um “bom-dia” rápido e logo olhavam para o celular. Até que, numa segunda-feira de agosto, cada apartamento encontrou na porta um de papel com um pão ainda quente.

Na primeira semana, ninguém comentou. Na segunda, o grupo de mensagens do prédio, que só servia para reclamações sobre barulho, explodiu. “Alguém sabe quem está deixando pão na porta?” “Será que é seguro comer?” “Eu já comi três. É o melhor pão que eu já provei.” A Dona Heloísa, uma professora aposentada que adorava romances policiais, decidiu que ia resolver o mistério.

Primeiro, ela falou com o o seu Josué. Ele que não tinha visto ninguém entrar com pães. “Então é alguém que mora aqui”, concluiu Dona Heloísa. Ela fez uma lista dos sessenta moradores e foi nomes. Não podia ser o casal do 201, que viajava muito. Nem os estudantes do 403, que mal sabiam fazer

Ela reparou, então, num detalhe: os chegavam sempre antes das cinco da manhã e cheiravam a Na sexta-feira, Dona Heloísa colocou o para as três e meia, vestiu um casaco grosso e se escondeu atrás da planta do corredor do sexto andar, com uma garrafa de café.

Às quatro e dez, a porta do 602 se abriu. Saiu de lá o seu Ernesto, um senhor de oitenta anos que quase nunca saía de casa, com uma cesta enorme. Ele andava devagar, de porta em porta, deixando os com cuidado. Quando viu a levou um susto e quase tudo.

“Me desculpe, Dona Heloísa”, disse ele baixinho. “Eu fui durante cinquenta anos. Desde que me aposentei, não consigo dormir depois das três. O corpo acorda sozinho. Antes, eu fazia pão para o bairro inteiro. Agora não tenho para quem fazer. Achei que ninguém ia se importar.”

Dona Heloísa poderia ter mandado uma mensagem para o grupo contando tudo. Em vez disso, escreveu apenas: “Mistério resolvido. Sábado, às nove, café da manhã no de festas. Tragam as suas xícaras.”

No sábado, sessenta moradores apareceram. Seu Ernesto, de avental branco, servia pão de e explicava a receita para quem perguntava. Os estudantes do 403 foram os primeiros a se inscrever nas aulas de pão, que agora acontecem todo domingo. E no elevador, finalmente, as pessoas conversam.

Comprehension check

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1. What did the residents find at their doors?

2. What detail did Dona Heloísa notice about the bags?

3. Why does seu Ernesto bake at night?

4. What happens every Sunday now?