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Short story

A vaga 17

In a condo in Natal, a strict lawyer and the young drummer next door go to war over a parking space.

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Words to know (12)
  • temido · feared
  • o baterista · drummer
  • estacionar · to park
  • o para-brisa · windshield
  • a letra de forma · block capitals
  • a bateria · drum kit; car battery
  • o tapete · mat, rug
  • a camisola · nightgown
  • o trabalho de parto · labor (giving birth)
  • o bumbo · bass drum
  • o buraco · pothole, hole
  • o genro · son-in-law

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A doutora Vera Campos era a moradora mais do Condomínio Dunas, em Natal. Advogada, cinquenta e oito anos, divorciada, ela conhecia o regulamento do prédio melhor do que o próprio síndico e não perdoava nada: cachorro sem coleira, música depois das dez, toalha pendurada na varanda. Mas o que ela mais defendia era a vaga 17 da garagem, a única coberta do subsolo, que tinha comprado junto com o apartamento.

Em julho, um rapaz se mudou para o apartamento ao lado. Ele se chamava Kauã, tinha vinte e seis anos, era de uma banda de forró e chegou com uma van velha cheia de tambores e pratos. Na primeira noite, voltou de um show às quatro da manhã, cansado, e na primeira vaga coberta que viu: a 17.

Às sete, havia um bilhete no da van, escrito em letra de “Esta vaga tem dona. Que isso não se repita.” Kauã pediu desculpas por mensagem, mas a guerra já tinha começado. Na semana seguinte, a doutora reclamou do barulho da Kauã respondeu que só ensaiava à tarde. Ela reclamou do cheiro do café dele no corredor. Ele colocou na porta um de boas-vindas com o desenho de uma Na reunião de agosto, os dois discutiram por quarenta minutos sobre um

Até que, numa madrugada de setembro, Kauã chegou de um show e encontrou a doutora Vera na garagem, de e casaco, tentando ligar o carro. O motor não pegava. Ela estava com o celular na mão e chorava. “A disse ela, sem perceber a piada. “A minha filha entrou em trabalho de O hospital fica do outro lado da cidade, e não tem nenhum carro de aplicativo disponível.”

Kauã não pensou duas vezes. Tirou um do banco da frente, abriu a porta e disse: “Entra, doutora. A van é feia, mas é rápida.” Ela hesitou por um segundo, olhou para os tambores e entrou.

Foi a viagem mais barulhenta da vida dela. A cada os pratos batiam lá atrás. Kauã atravessou Natal em vinte minutos, enquanto a doutora falava ao telefone com o Em certo momento, ela riu, nervosa: “Imagine se alguém do condomínio me vê agora, numa van de forró às quatro da manhã.”

Eles chegaram à maternidade às quatro e meia. Às cinco e dez, nasceu o pequeno Heitor, com três quilos e meio e muito cabelo. Kauã esperou na recepção até de manhã, dormindo numa cadeira de plástico, porque a doutora tinha deixado a bolsa na van.

No dia seguinte, havia um novo bilhete no da van, que estava na rua. Era a mesma letra de “Vaga 17: uso compartilhado. Válido para sempre.” E, um ano depois, no aniversário do Heitor, quem tocou na festa foi uma banda de forró, com um que a avó do menino apresentava a todo mundo como “o vizinho que me levou até o meu neto”.

Comprehension check

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1. What did Dra. Vera defend most of all?

2. What did the first note on the van's windshield say?

3. Why was Dra. Vera in the garage in the middle of the night?

4. What did the second note say?