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Short story

Como é a cachoeira?

A bored tour guide at the Iguaçu Falls gets a question from a tourist that he has never been asked before.

Tap a dotted word for its meaning.

Words to know (10)
  • a queda · waterfall, drop
  • de cor · by heart
  • o mirante · viewpoint, lookout
  • cego · blind
  • a cortina · curtain
  • a névoa · mist, spray
  • a andorinha · swallow; here, the swifts that nest behind the falls
  • o ninho · nest
  • a passarela · walkway, footbridge
  • a garganta · throat; (nó na garganta) lump in the throat

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Anderson trabalhava como guia nas Cataratas do Iguaçu havia quinze anos. Ele calculava que já tinha descido a trilha do lado brasileiro mais de três mil vezes. Sabia tudo de são cerca de duzentas e setenta e cinco a maior tem oitenta metros, a água vem de um rio que nasce perto de Curitiba. Ele repetia esses números todos os dias, com a mesma voz e as mesmas piadas, e já nem olhava mais para a água.

Numa terça-feira de março, o grupo dele tinha doze pessoas. Uma delas era Dona Eunice, uma senhora de Porto Alegre que usava óculos escuros e andava de braço dado com a filha. No primeiro Anderson começou o discurso de sempre. Dona Eunice esperou ele terminar e levantou a mão. “Moço, eu sou desde que nasci”, disse ela, com simpatia. “Os números eu já li. O senhor pode me contar como ela é?”

Anderson ficou parado, sem saber o que dizer. Ninguém nunca tinha pedido isso a ele. Ele olhou para a cachoeira, de verdade, pela primeira vez em muitos anos, e procurou as palavras. “Bom... é muita água. Ela cai de um lado inteiro do rio, como uma branca. Não, não é como uma É um rio inteiro caindo de uma escada enorme.” Ele parou. “Desculpe. Eu não sou bom nisso.”

“O senhor está indo bem”, respondeu Dona Eunice. “Continue.” E Anderson continuou. Falou do arco-íris que aparecia na das que voavam por trás da água para fazer nas pedras, da da água, que não era branca, mas creme, por causa da terra vermelha. Os outros turistas pararam de tirar fotos para ouvir. Alguns começaram a ver coisas que não tinham notado.

No fim da trilha, chegaram à que entra no rio, perto da do Diabo, a maior. O barulho era tão forte que eles precisavam gritar. A água molhava a roupa e o rosto de todo mundo. Dona Eunice tirou os óculos, abriu os braços e ficou ali um tempo, sentindo o vento gelado e o chão de metal tremendo embaixo dos pés.

“Agora eu vi”, ela disse, quando voltaram para a terra firme. Estava toda molhada e sorria. “E acho que o senhor também.” Anderson riu, mas sentiu um nó na Era verdade.

Desde aquele dia, ele mudou o jeito de trabalhar. Ainda fala dos números, porque os turistas gostam, mas fala pouco. No primeiro pede que o grupo feche os olhos por um minuto e escute a água antes de ver. Muita gente acha estranho. Mas, no fim do passeio, alguém sempre vem perguntar como ele consegue gostar tanto de uma coisa que já viu três mil vezes. Ele responde que só começou a ver mesmo depois de três mil vezes.

Comprehension check

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1. How did Anderson do his job at the start of the story?

2. What did Dona Eunice ask Anderson to do?

3. Why is the water of the falls cream-colored, according to Anderson?

4. What does Anderson ask his groups to do now at the first viewpoint?