Short story
O queijo do tio Zeca
A young woman from São Paulo inherits a small cheese farm in Minas Gerais and goes there only to sell it.
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Words to know (11)
- herdar · to inherit
- o curral · cattle pen, corral
- a queijaria · small cheese dairy
- a porteira · farm gate
- arrastado · drawn-out, slow (of an accent)
- coar · to strain, filter
- o soro · whey
- a prateleira · shelf
- curar · to ripen, cure (cheese)
- inscrever · to enter, sign up (for a contest)
- a barraca · market stall
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Quando o tio Zeca morreu, Bianca ficou sabendo que tinha uma fazenda. Não era uma fazenda grande: eram vinte vacas, um uma casa antiga de janelas azuis e uma pequena perto de São Roque de Minas, na Serra da Canastra. Bianca, que morava em São Paulo e não via o tio desde criança, decidiu vender tudo o mais rápido possível.
Ela chegou numa sexta-feira, com a ideia de ficar dois dias. Na esperava por ela seu Tonico, que trabalhava com o tio havia trinta anos. Ele tirou o chapéu e disse, com o sotaque do interior de Minas: “A senhora pode vender, é claro. Só peço que fique até o último queijo do seu tio ficar pronto. Falta um mês. O sonho dele era alguém da família provar esse queijo.”
Bianca achou o pedido um exagero, mas não teve coragem de dizer não. No dia seguinte, às cinco da manhã, seu Tonico bateu na porta. “Hora de tirar o leite.” Ela foi, de pijama e casaco, meio dormindo. Aprendeu a lavar as mãos na água gelada, a o leite morno e a misturar o pingo, o do queijo do dia anterior, que é o segredo do queijo canastra. “Cada fazenda tem o seu pingo”, explicou seu Tonico. “É por isso que nenhum queijo é igual ao outro.”
Os dias foram passando. Todas as manhãs, Bianca virava os queijos que estavam na de madeira, um por um, para por igual. No começo, contava os dias que faltavam para ir embora. Depois parou de contar. Começou a reconhecer as vacas pelo nome, a gostar do silêncio da serra e a tomar café com seu Tonico na varanda, ouvindo histórias do tio, que ela não tinha conhecido de verdade.
Na terceira semana, um homem de Belo Horizonte apareceu numa caminhonete preta. Queria comprar a fazenda e ofereceu um bom preço. Bianca disse que ia pensar. Naquela mesma tarde, por brincadeira, seu Tonico um dos queijos do tio num concurso da região. “Não custa nada tentar”, disse.
O resultado saiu no dia em que o último queijo ficou pronto. O queijo do tio Zeca tinha ganhado o segundo lugar entre mais de cem produtores. Seu Tonico chorou sem vergonha nenhuma. Bianca cortou o queijo novo na mesa da cozinha, e os dois comeram em silêncio, com café e doce de leite. Era o melhor queijo que ela já tinha provado na vida.
Quando o homem da caminhonete ligou, Bianca já sabia a resposta. Agradeceu a oferta, mas disse que a fazenda não estava mais à venda. Depois ligou para São Paulo e pediu para o irmão mandar as coisas dela pelo correio.
Hoje, na feira de São Roque, há uma com uma placa de madeira: “Queijo do Tio Zeca”. Atrás dela, uma moça de chapéu de palha corta pedaços para os clientes provarem, e um senhor de bigode explica para todo mundo que a menina aprendeu tudo com ele em apenas um mês.
Comprehension check
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1. What did Bianca plan to do when she first went to the farm?
2. What is the "pingo", according to the story?
3. What did seu Tonico do "por brincadeira"?
4. What did Bianca decide in the end?