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Short story

O guarda de Dois Rios

A woman travels to Ilha Grande with an old photo of her grandfather, who worked as a guard at the island's prison decades ago.

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Words to know (10)
  • o presídio · prison
  • demolir · to demolish
  • a ruína · ruin
  • a cela · prison cell
  • a barraquinha · little stall
  • arrepender-se · to regret
  • a marmita · lunch box
  • a grade · bars (of a cell)
  • solto · released, set free
  • gasto · worn out

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A Ilha Grande, no litoral do Rio de Janeiro, hoje é famosa pelas praias, pelas trilhas e pela água verde. Mas, durante quase cem anos, ela também foi conhecida por outro motivo: na Vila de Dois Rios, do outro lado da ilha, funcionava um Ele foi fechado em 1994 e logo depois. Hoje, no lugar, há um pequeno museu e algumas cobertas de mato.

Helena tinha uma foto em preto e branco do avô, Osvaldo, de uniforme, na frente daquele Ele tinha trabalhado lá como guarda nos anos setenta e oitenta, mas quase nunca falava disso. Morreu quando ela tinha doze anos. Agora, com quarenta, Helena tinha decidido conhecer o lugar de que o avô nunca quis falar.

De Abraão, a vila principal, até Dois Rios são três horas de trilha pela mata. Helena chegou cansada e suada. Visitou o museu, olhou as fotos antigas e as reconstruídas, mas não encontrou nada sobre o avô. Um pouco decepcionada, sentou-se num banco perto da praia e comprou água de coco de um senhor magro, de cabelo branco, que tinha uma ali.

Enquanto tomava a água, ela tirou a foto da bolsa para olhar mais uma vez. O vendedor viu a foto e parou de repente, com o facão na mão. “Posso ver?”, perguntou. Ele pegou a foto com cuidado e ficou muito tempo calado. Depois disse, com a voz baixa: “Esse é o seu Osvaldo. Eu conheço esse homem.”

O nome dele era Benedito, mas todos o chamavam de seu Bené. Ele contou que tinha sido preso em Dois Rios em 1982, quando tinha vinte e poucos anos, por um roubo de que até hoje se Não sabia ler nem escrever. Um guarda, ao contrário dos outros, falava com os presos com respeito. Esse guarda trazia livros escondidos na e, à noite, ensinava Bené a ler pelas da

“Ele dizia que eu ainda tinha muita vida pela frente”, contou seu Bené, com os olhos molhados. “O primeiro livro que eu li inteiro foi ele que me deu. Quando eu saí, prometi que nunca mais ia voltar para uma E não voltei.” Ele explicou que, depois de tinha trabalhado como pescador e, mais tarde, como guia na ilha. Agora, velho, vendia coco e contava a história do para os turistas.

Helena chorou ali mesmo, no banco. Ela nunca tinha sabido nada disso. O avô, que em casa falava pouco, tinha feito uma coisa que ninguém da família conhecia. “Ele nunca contou para a gente”, disse ela. Seu Bené sorriu. “Homem bom não conta o bem que faz.”

Antes de ela ir embora, seu Bené entrou na casinha atrás da barraca e voltou com um livro velho, de capa azul, de tanto ser lido. Na primeira página, com uma letra que Helena reconheceu na hora, estava escrito: “Para o Benedito, que vai sair daqui.” O livro ele não podia dar, mas pediu para ela tirar uma foto dos dois juntos, ela e ele, segurando o livro e a foto do avô.

Comprehension check

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1. What is in Dois Rios today, where the prison used to be?

2. Why did seu Bené recognize the man in the photo?

3. What did seu Bené say about good men?

4. What was written on the first page of the old book?