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Short story

O piano do subsolo

In her diary, a journalism student in João Pessoa writes about the ghostly piano music her neighbors hear in the middle of the night.

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Words to know (12)
  • a madrugada · small hours of the night
  • o cano · pipe
  • medir · to measure
  • o gravador · recorder
  • o subsolo · basement
  • o depósito · storeroom
  • o enfeite · decoration
  • o lençol · bedsheet
  • a ronda · round, patrol (of a guard)
  • convocar · to call (a meeting)
  • afinar · to tune (an instrument)
  • decepcionado · disappointed

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Segunda, 3 de março. Hoje fez um mês que eu me mudei para o Edifício Solar, em João Pessoa, e só agora alguém me contou sobre o fantasma. Foi a Dona Marlene, do 502, no elevador. Ela disse que, toda por volta das duas, dá para ouvir um piano pelos do prédio. E que o piano é da Dona Ivete, uma pianista que morou no 801 e morreu há dois anos. Eu ri. Ela não.

Quarta, 5 de março. Acordei às duas e dez com uma música. Baixinha, triste, linda. Vinha mesmo de algum lugar dentro das paredes. Fiquei sentada na cama até as três, sem coragem de me mexer. Sou estudante de jornalismo e não acredito em fantasmas. Mas confesso que dormi com a luz acesa.

Sexta, 7 de março. Contei tudo ao síndico, o seu Alberto, um engenheiro aposentado que só acredita no que pode Ele disse que devia ser o celular de algum vizinho. Mesmo assim, consegui convencer o homem a investigar comigo. Combinamos de nos encontrar no hall à uma e meia da manhã de sábado. Ele vai levar uma lanterna. Eu vou levar o

Sábado, 8 de março. Que noite! Às duas em ponto, a música começou. Com o ligado, seu Alberto e eu fomos seguindo o som: não vinha do oitavo andar, como todos pensavam, vinha de baixo. Descemos até o passamos pela garagem e chegamos à porta do do salão de festas. A música vinha de lá. Seu Alberto, que tinha dito que não estava com medo nenhum, me deixou abrir a porta.

Lá dentro, entre cadeiras de plástico e caixas de de Natal, havia um piano velho, meio coberto por um E, sentado diante dele, estava o Wesley, o porteiro da noite, de uniforme, tocando de olhos fechados. Quando acendemos a luz, ele deu um pulo. “Pelo amor de Deus, não me mandem embora”, disse.

Ele explicou tudo. O piano era da Dona Ivete. Quando ela morreu, a família não teve onde colocar o instrumento e pediu para o condomínio guardar o piano por um tempo. O Wesley, que aprendia a tocar sozinho com vídeos na internet, tinha descoberto o piano numa noite de Desde então, tocava durante o intervalo. Em abril, ele vai fazer a prova para o curso de música da universidade federal. “Eu nunca tive um piano. Só tenho este, e só de

Domingo, 9 de março. Achei que o seu Alberto ia ficar furioso. Em vez disso, ele passou a manhã inteira ouvindo a gravação no celular. Depois uma reunião extraordinária dos moradores. A proposta dele: tirar o piano do o instrumento e colocá-lo no hall de entrada, para que o Wesley possa estudar sem se esconder. Foi aprovada por unanimidade. A Dona Marlene, que adorava a história do fantasma, foi a única que pareceu um pouco

Quinta, 17 de abril. O Wesley passou na prova! Hoje à noite houve um pequeno concerto no hall, com bolo de rolo para todos. No fim, ele leu uma mensagem que a filha da Dona Ivete tinha mandado de São Paulo: “Minha mãe ia ficar muito feliz de saber que o piano dela voltou a tocar.” Nunca vi tanta gente chorando num hall de prédio.

Comprehension check

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1. According to Dona Marlene, whose piano could people hear at night?

2. Where was the music really coming from?

3. Why did Wesley play the piano at night?

4. What did the residents decide at the meeting?