Short story
Os bilhetes amarelos
An illustrator working in a coworking space in Fortaleza starts finding anonymous notes on her drawings every morning.
Tap a dotted word for its meaning.
Words to know (12)
- alugar · to rent
- os fones de ouvido · headphones
- a editora · publisher
- a rede · hammock
- travado · stuck, blocked
- o prazo · deadline
- colado · stuck on
- a sombra · shadow
- mexer em · to touch, mess with
- debruçado · leaning over
- o pincel · paintbrush
- autografar · to sign (autographs)
Select any text to highlight it, or a word to translate it or save it to your flashcards.
Patrícia escolheu o coworking da Aldeota, em Fortaleza, porque era barato, tinha ar-condicionado forte e café de graça. Ilustradora freelancer, ela tinha passado anos desenhando na mesa da cozinha e precisava de um lugar longe da geladeira. uma mesa perto da janela, entre dois programadores que usavam de ouvido o dia inteiro e um rapaz que vendia cursos de marketing pelo celular.
O trabalho daquele semestre era o mais importante da sua carreira: as ilustrações de um livro infantil para uma grande de São Paulo. A história era sobre um menino que vendia na praia. Mas Patrícia estava Os desenhos não ficavam bons, e o terminava em três semanas.
Numa segunda-feira, ela chegou e encontrou um papelzinho amarelo no desenho que tinha deixado na mesa: “A do menino está do lado errado. O sol está à esquerda.” Patrícia olhou com atenção. Era verdade. Na terça, outro bilhete: “As mãos dele parecem de adulto. Criança tem dedos mais curtos.” Na quarta: “Use menos azul no mar. Aqui em Fortaleza ele é verde.”
Ela ficou ao mesmo tempo irritada e encantada. Quem estaria nos desenhos dela? Desconfiou dos programadores, que negaram tudo sem tirar os Desconfiou do vendedor de cursos, que nem sabia o que era uma Perguntou à dona do coworking, que riu e disse que não sabia desenhar nem uma casinha.
Os bilhetes continuaram, e os desenhos foram melhorando. Na sexta, Patrícia decidiu resolver o mistério. Chegou às seis da manhã, uma hora antes de abrirem o espaço, e entrou com a chave que a dona tinha emprestado.
A luz estava acesa. Perto da janela, sobre a mesa dela, estava Dona Francisca, a senhora da limpeza, com o uniforme azul, os óculos na ponta do nariz e uma caneta na mão. Quando viu Patrícia, ela se assustou e deixou cair o papel amarelo. “Me perdoe, menina. Eu sei que não devia Mas é que eu não aguento ver um desenho com a errada.”
Elas tomaram café juntas, e Dona Francisca contou a sua história. Tinha sido professora de artes numa escola pública do Crato por trinta anos. Depois da aposentadoria, tinha vindo morar com a filha em Fortaleza, e o dinheiro não dava. “Faz quinze anos que eu não seguro um disse, olhando para as próprias mãos.
Naquela tarde, Patrícia ligou para a e fez um pedido incomum: queria que o livro tivesse duas ilustradoras. A pediu para ver o trabalho das duas juntas e aceitou. Três meses depois, o livro foi lançado numa livraria de Fortaleza. Na capa, abaixo do título, havia dois nomes. E Dona Francisca, de vestido novo, passou a tarde inteira livros e, discretamente, corrigindo os desenhos que as crianças faziam na mesa ao lado.
Comprehension check
0/4 answered
1. What was Patrícia's most important project?
2. What did the first yellow note say?
3. Who was writing the notes?
4. What unusual request did Patrícia make to the publisher?