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Short story

A guarda-parque

A park ranger in the Chapada dos Veadeiros has fined the same old farmer for nine years for setting fires, until the worst drought anyone remembers.

Tap a dotted word for its meaning.

Words to know (12)
  • o/a guarda-parque · park ranger
  • a inimizade · feud, enmity
  • atear fogo · to set fire
  • a multa · fine
  • o sermão · lecture, scolding
  • a queimada · controlled burning of vegetation
  • o capim · grass
  • o raio · lightning bolt
  • o aceiro · firebreak
  • a fuligem · soot
  • rebrotar · to sprout again
  • o brigadista · wildland firefighter (often seasonal)

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Helena Prado tinha trinta e oito anos, dez deles como na Chapada dos Veadeiros, em Goiás, e uma única declarada: seu Tião, um lavrador de setenta e poucos anos que morava numa comunidade kalunga na borda do parque. Todo ano, no começo da seca, ele fogo em pequenas áreas do cerrado perto de casa, e todo ano Helena aparecia com a e o “O fogo é o maior inimigo do cerrado”, repetia ela. Seu Tião ouvia calado, pagava quando podia e, no ano seguinte, fazia tudo de novo.

“A senhora é estudada, mas não conhece o mato”, disse ele uma vez, sem raiva. “O fogo pequeno, na hora certa, é remédio. Quem não queima em maio, queima em setembro.” Helena achou aquilo uma desculpa de quem não queria mudar. Afinal, os livros e os cursos que ela tinha feito diziam claramente que as destruíam a vegetação, matavam animais e empobreciam o solo.

Naquele ano, a seca foi a pior de que se tinha notícia. Em agosto, já não chovia havia cento e vinte dias, a umidade do ar estava abaixo de dez por cento, e o seco cobria a chapada como palha esperando um fósforo. No dia dois de setembro, um caiu numa serra a vinte quilômetros dali, sem uma gota de chuva. Em poucas horas, o incêndio tinha a largura de uma cidade e avançava, empurrado pelo vento, na direção da comunidade de seu Tião.

Helena passou dois dias e duas noites com a brigada, abrindo molhando o chão, tirando famílias de casa. Não adiantava. As chamas pulavam estradas, subiam em árvores, corriam mais que os caminhões. Na terceira madrugada, exausta, com o rosto preto de ela recebeu pelo rádio a notícia que temia: o fogo tinha chegado à borda da comunidade. Pegou a caminhonete e foi para lá, certa de que encontraria tudo destruído.

Não encontrou. Ao redor das casas, numa faixa larga, o fogo simplesmente tinha parado. Era exatamente a área que seu Tião havia queimado em maio, e pela qual Helena o tinha multado. Sem seco para consumir, as chamas tinham perdido força e morrido sozinhas, como uma onda que bate num muro. A vegetação ali já estava verde, enquanto tudo em volta era cinza. Seu Tião estava sentado na porta de casa, tomando café, como se nada tivesse acontecido.

Helena desceu da caminhonete e ficou muito tempo olhando aquela linha entre o preto e o verde. Depois se sentou ao lado dele, sem dizer nada. Ele lhe estendeu uma caneca. “Meu avô fazia assim, e o avô dele também”, disse. “Fogo pequeno pra não ter fogo grande. Ninguém inventou isso em livro, não. A gente aprendeu olhando.” Helena bebeu o café devagar. Era a primeira vez em dez anos que ela não tinha nenhuma resposta pronta.

Nos meses seguintes, ela pesquisou e descobriu que cientistas de várias universidades já defendiam o que chamavam de manejo integrado do fogo: controladas no início da seca, feitas com a ajuda de quem conhecia o território havia gerações. Em março, Helena voltou à comunidade com um documento oficial e uma proposta. No ano seguinte, seu Tião passou a dar aulas aos novos do parque. Na primeira aula, apresentou Helena à turma como “a moça que me multou durante nove anos”. Ela riu junto com todo mundo. Depois pegou o caderno e anotou tudo o que ele dizia.

Comprehension check

0/4 answered

1. Why did Helena fine seu Tião every year?

2. What started the big fire?

3. Why did the fire stop at the edge of the community?

4. What happened the following year?