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Short story

O rio que mudou de lugar

When the Purus river starts swallowing their riverbank in the Amazon, a small community must decide where to go, and the oldest fisherman has a theory.

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Words to know (12)
  • a correnteza · current
  • o barranco · riverbank, steep bank
  • desabar · to collapse
  • o estrondo · loud crash, boom
  • o ribeirinho · person who lives by the river
  • a trena · tape measure
  • a mangueira · mango tree
  • o curso · course (of a river)
  • desmontar · to take apart
  • a tábua · plank
  • a carteira · school desk
  • o caco · shard, broken piece

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Na comunidade de Santa Luzia, às margens do rio Purus, no Amazonas, todo mundo sabia que o rio tinha vontade própria. Mas ninguém imaginava que ele fosse querer a escola. Durante o inverno amazônico daquele ano, quando as águas sobem e a fica mais forte, o em frente à comunidade começou a em pedaços enormes, com um que acordava as crianças de madrugada. Os chamam isso de terras caídas.

A professora Raimunda Lopes, que dava aula para quarenta e dois alunos de todas as idades numa escola de madeira pintada de azul, mediu a distância entre a escola e a beira do rio com uma Em janeiro, eram vinte e cinco metros. Em março, onze. Em abril, quando um pedaço do levou o banheiro da escola e a mais antiga da comunidade, ela entendeu que não havia mais o que esperar.

A reunião foi feita na igreja, com todo mundo. Os mais jovens queriam se mudar para Lábrea, a cidade mais próxima, a um dia de barco, onde havia hospital e internet. Os mais velhos não queriam sair de jeito nenhum. Foi seu Manduca, o pescador mais antigo da comunidade, com quase noventa anos, quem pediu a palavra. “O rio não está indo embora com a nossa terra”, disse ele. “Está só voltando pra onde ele já esteve. Quando eu era menino, o Purus passava lá do outro lado. Aquela praia ali era fundo de rio.”

Ninguém acreditou muito, mas seu Manduca insistiu tanto que a professora pediu ajuda a um geógrafo da universidade em Manaus. O pesquisador comparou imagens de satélite antigas e confirmou: os rios da Amazônia mudam de o tempo todo, e o Purus é um dos que mais se mexem. Do outro lado, onde agora havia uma praia larga e uma mata nova, o rio tinha passado algumas décadas antes. A terra ali era alta, firme e, segundo os cálculos, ficaria segura por muitos anos.

A mudança levou o verão inteiro. As famílias as casas por atravessaram tudo de canoa e montaram de novo na outra margem. A escola foi a última a ir, e os alunos carregaram os livros, as e até o quadro-negro, cantando, numa procissão de barcos que parecia festa de santo. Seu Manduca, que já não podia carregar peso, ficou responsável por escolher onde cada casa seria construída.

Foi enquanto cavavam o buraco para a nova caixa-d'água que os meninos encontraram os Primeiro um, depois dezenas: pedaços de cerâmica pintados com linhas vermelhas e pretas, alguns com desenhos de rostos e de animais. A professora Raimunda mandou fotos para o geógrafo, que mandou para uma arqueóloga, que pegou o primeiro barco para Santa Luzia. Depois de uma semana de trabalho, ela deu a notícia: aquele lugar tinha sido uma aldeia indígena, ocupada havia mais de mil anos, quando o rio também passava longe dali.

Seu Manduca ouviu a explicação em silêncio, sentado num banco, olhando o rio que agora corria do outro lado, levando devagar o que restava da antiga comunidade. Depois sorriu. “Tá vendo?”, disse para a professora. “A gente não fugiu do rio. A gente só fez o que o povo daqui sempre fez. O rio anda, e a gente anda com ele.” No ano seguinte, a escola nova ganhou uma pequena sala de museu, com os de cerâmica numa estante de madeira. Na parede, os alunos escreveram, com letras grandes, a frase de seu Manduca.

Comprehension check

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1. What do the river people call "terras caídas"?

2. What did seu Manduca say about the river?

3. How did the geographer confirm Manduca's theory?

4. What did the archaeologist discover?