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Short story

A videira do nono

Three siblings in the Serra Gaúcha are about to sell their Italian great-great-grandfather's vineyard, but the youngest asks for one more month.

Tap a dotted word for its meaning.

Words to know (12)
  • o nono · grandpa (among Italian-Brazilians)
  • o parreiral · vineyard
  • a vinícola · winery
  • a caçula · youngest child
  • o colono · small farmer (of immigrant stock)
  • retorcido · twisted
  • o trisavô · great-great-grandfather
  • a muda · cutting, seedling
  • podar · to prune
  • a amostra · sample
  • a praga · plague, pest
  • a safra · harvest, vintage

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Os irmãos Bortolotto não se reuniam na mesma mesa desde o enterro do três anos antes. Quando finalmente se encontraram, num domingo de março, na casa de pedra da família em Flores da Cunha, foi para discutir a venda do Uma grande de Bento Gonçalves tinha oferecido um valor que nenhum deles conseguiria ganhar em vinte anos de trabalho, e Paulo e Cristina, os dois mais velhos, já tinham decidido aceitar.

Só faltava a assinatura de Giovana, a que era agrônoma e trabalhava numa cooperativa da região. “Se vocês tivessem passado a infância aqui como eu passei, não falariam em vender com tanta facilidade”, disse ela. Paulo, que morava em Porto Alegre havia vinte anos, perdeu a paciência. “Giovana, ninguém vive de lembrança. O morreu, as videiras estão velhas e ninguém aqui quer ser

Entre as videiras velhas, havia uma em especial, e grossa como um tronco de árvore, que crescia encostada no muro da casa. A família contava que tinha sido plantada em 1885 pelo Giuseppe, que chegou do Vêneto com uma embrulhada num pano molhado dentro da mala. O a chamava de “la vecia”, a velha, no dialeto talian que ainda se ouve na Serra, e não deixava ninguém a planta além dele.

Giovana pediu um mês antes de assinar qualquer coisa. Levou folhas e uvas da videira velha para o laboratório da cooperativa, sem saber muito bem o que procurava. A análise genética demorou três semanas, e o resultado deixou os técnicos confusos: a uva não correspondia a nenhuma variedade registrada no Brasil. Um pesquisador sugeriu que ela enviasse as para uma universidade italiana, em Pádua.

A resposta chegou em italiano, num e-mail longo e cheio de pontos de exclamação. Era uma variedade vêneta antiga, cultivada em poucas aldeias de montanha e considerada extinta desde que uma destruíra os vinhedos da região, no fim do século dezenove. Na Itália, só restavam descrições em livros. Os pesquisadores pediam, por favor, que ninguém tocasse na planta até eles chegarem.

Em maio, dois professores italianos desembarcaram em Flores da Cunha, acompanhados por uma equipe de televisão. Ficaram horas diante da videira, fotografando cada folha. Um deles, já idoso, chorou ao provar uma uva. “O meu avô falava dessa uva”, disse num português misturado com italiano. “A gente achava que ela tinha desaparecido para sempre. Ela não desapareceu. Ela emigrou.”

A notícia correu a Serra, e a de Bento Gonçalves dobrou a oferta, desde que a videira fosse incluída na venda. Foi então que Paulo, para surpresa de todos, foi o primeiro a recusar. “Se a gente vender agora, é como vender o Giuseppe”, disse. Naquela noite, os três irmãos abriram a última garrafa que o tinha feito com as uvas da velha, guardada na adega desde 2015. O vinho era áspero, estranho, quase difícil de beber. “Tá horrível”, disse Cristina, rindo e chorando ao mesmo tempo. “Tá perfeito”, respondeu Paulo. Na seguinte, os três estavam juntos no de botas e chapéu, aprendendo com Giovana a fazer o que o fazia sozinho.

Comprehension check

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1. Why did the siblings meet at the family house?

2. What did the family say about the old vine?

3. What did the Italian university discover?

4. What did Paulo do when the winery doubled its offer?