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Short story

Assembleia extraordinária

A crônica about a condomínio meeting in Belo Horizonte called to punish whoever plays the saxophone at night.

Tap a dotted word for its meaning.

Words to know (12)
  • a assembleia · residents' meeting
  • xingar · to swear at, to insult
  • a vaga de garagem · parking space
  • a samambaia · fern
  • convocar · to call (a meeting)
  • diga-se de passagem · it must be said, by the way
  • o síndico / a síndica · building manager elected by the residents
  • multar · to fine
  • lotado · packed, full
  • pedir a palavra · to ask to speak
  • por unanimidade · unanimously
  • a entrada franca · free admission

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Quem nunca foi a uma reunião de condomínio não conhece de verdade o ser humano. Eu moro há doze anos num prédio de três blocos no bairro Sion, em Belo Horizonte, e já vi vizinhos se por causa de uma de garagem, de um vaso de e, uma vez, de um pão de queijo esquecido no elevador. Mas nada se compara à extraordinária de março, por causa do saxofone.

O problema era simples: havia três meses, alguém do bloco B tocava saxofone entre onze da noite e meia-noite. Não tocava mal, de Tocava umas músicas lentas, antigas, que entravam pela janela junto com o cheiro de chuva. Mas o regulamento interno era claro, e a dona Marlene, era mais clara ainda. “Depois das dez, silêncio absoluto. Quem desrespeitar a lei do silêncio vai ser seja quem for.”

A reunião começou com quarenta minutos de atraso, como manda a tradição. O salão de festas estava O rapaz do 302 disse que tinha um bebê que acordava com qualquer barulho. A professora do 501 disse que precisava dormir cedo. O seu Geraldo, que reclama de tudo desde 1998, disse que aquilo era falta de educação e que, se dependesse dele, o músico seria expulso do prédio. Ninguém sabia quem era o saxofonista, o que tornava a discussão ainda mais divertida.

“Vamos votar a multa”, anunciou dona Marlene. “Quem for a favor, levante a mão.” Quase todo mundo levantou. Foi então que, lá do fundo, uma voz baixa pediu a Era o seu Osvaldo, do 104, setenta e quatro anos, o morador mais antigo do condomínio, que nunca abria a boca nas reuniões. Ele se levantou devagar, ajeitou os óculos e disse: “O saxofone é meu. Podem me

O salão ficou em silêncio, aquele silêncio que a tanto exigia. O seu Osvaldo explicou que a esposa, dona Lourdes, tinha morrido em dezembro. Ela adorava ouvir o marido tocar, mas ele tinha parado havia trinta anos, quando os filhos nasceram, porque o apartamento era pequeno. “Depois que ela se foi, a casa ficou quieta demais”, disse ele. “Eu toco a música que a gente dançou no casamento. É a hora em que ela ia dormir. Se vocês preferirem, eu paro.”

Confesso que esperei o seu Geraldo dizer alguma coisa. Ele não disse nada. Quem falou foi o rapaz do 302, o do bebê. “Olha, pra falar a verdade, o meu filho dorme melhor com o saxofone do que sem.” Alguém riu, depois outro, e de repente a inteira estava discutindo, não a multa, mas um novo horário. A professora do 501 sugeriu que ele tocasse no salão de festas, nos domingos à tarde, para quem quisesse ouvir.

A proposta foi aprovada por o que nunca tinha acontecido naquele prédio, nem mesmo na votação para trocar o portão. Hoje, todo domingo, às cinco, o seu Osvaldo toca no salão, e há sempre umas vinte cadeiras ocupadas. O seu Geraldo chega primeiro e senta na frente. Reclama do volume, é claro, mas não falta nunca. E, se alguém tiver dúvidas sobre a natureza humana, recomendo que apareça por lá: a entrada é e o cafezinho é por conta da

Comprehension check

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1. Why was the extraordinary meeting called?

2. Why did seu Osvaldo play at that hour?

3. What did the young man from 302 say about his baby?

4. What does seu Geraldo do now?