Short story
O rei do caqui
A fruit seller at a street market in Curitiba becomes an internet star after his daughter posts a video of him, and fame comes with a price.
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Words to know (12)
- o caqui · persimmon
- a feira livre · open-air street market
- o feirante · market vendor
- a mexerica · tangerine
- a freguesa · (female) customer
- a sogra · mother-in-law
- a visualização · view (of a video)
- de cabeça para baixo · upside down
- estar em alta · to be popular right now, trending
- a aposta · bet
- o roteiro · script
- rimar · to rhyme
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O seu Nivaldo vende frutas na livre do bairro Água Verde, em Curitiba, há trinta e dois anos. Acorda às três e meia, monta a barraca no escuro, com aquele frio curitibano que entra pelos ossos, e às seis já está gritando. Não grita como os outros Grita em versos, que ele inventa na hora, sobre o a o morango, a vizinha que passa sem comprar. “Olha o que é doce como a não é!”
Foi a filha dele, a Bruna, que um sábado resolveu gravar. Ela estudava publicidade e precisava de um vídeo para um trabalho da faculdade. Postou à noite, sem pensar muito, e foi dormir. Quando acordou, o vídeo tinha oitocentas mil No domingo, dois milhões. Na segunda-feira, um programa de televisão de São Paulo ligou para a casa da família perguntando se o “Rei do podia dar uma entrevista ao vivo.
Nas semanas seguintes, a vida do seu Nivaldo virou de para baixo. A barraca, que antes atendia os mesmos fregueses de sempre, passou a ter fila. Mas a fila não era para comprar fruta: era para tirar foto. Gente vinha de Joinville, de Ponta Grossa, até de Florianópolis, pedia para ele gritar um verso, filmava, agradecia e ia embora sem levar um sequer. A dona Ivone, cliente havia vinte anos, desistiu de esperar e passou a comprar na barraca do lado.
“Pai, o senhor tem que aproveitar enquanto tá em dizia a Bruna, que agora cuidava do perfil dele como se fosse uma empresa. Havia propostas de marcas de celular, de uma loja de móveis, de um aplicativo de O seu Nivaldo recusava quase todas. Achava estranho que alguém quisesse pagar para ele falar de uma coisa que ele nunca tinha usado. “Eu vendo o que eu conheço”, respondia.
Até que chegou a proposta de uma grande rede de supermercados. O valor era tão alto que a Bruna precisou ler duas vezes. Era mais do que o pai ganhava em três anos de Bastava gravar um vídeo, um só, gritando um verso novo. O veio pronto, por e-mail: é coisa do passado, o futuro tá no supermercado!” O contrato seria assinado ao vivo, numa transmissão que a rede ia fazer na própria no sábado seguinte.
O seu Nivaldo passou a semana inteira calado. A Bruna achava que ele estava nervoso. No sábado, as câmeras chegaram cedo, montaram as luzes ao lado da barraca, e uma moça de terno explicou que ele só precisava ler o verso e assinar. Os outros olhavam de longe, sem dizer nada. Quando deram o sinal, o seu Nivaldo respirou fundo, olhou para a câmera e gritou, com a voz de sempre: “Supermercado tem ar-condicionado, mas não tem ninguém que saiba o seu nome!”
Depois, devolveu a caneta para a moça de terno, pediu desculpas pelo incômodo e voltou a arrumar as A transmissão foi cortada em segundos, mas não antes que alguém da plateia filmasse tudo com o celular. Esse vídeo, que a Bruna não postou, foi o mais assistido daquele ano em todo o Paraná.
Hoje, a do Água Verde tem o dobro de barracas e um fim de semana por mês com música. O seu Nivaldo ainda posta um vídeo de vez em quando, mas só depois do meio-dia, quando a acaba. E a dona Ivone voltou. Disse que só continua comprando se ele parar de o nome dela com maduro”. Ele prometeu. Ninguém acredita.
Comprehension check
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1. How did seu Nivaldo become famous?
2. What was the problem with the new line at his stall?
3. What were the supermarket chain's lines supposed to say?
4. What did seu Nivaldo do in front of the cameras?