Short story
Cinco estrelas
A delivery rider in São Paulo who never breaks the app's rules gets to know the old man who orders the same soup every night.
Tap a dotted word for its meaning.
Words to know (12)
- a nota · rating, score
- o pedido · order
- o aluguel · rent
- em hipótese alguma · under no circumstances
- a portaria · front desk, lobby (of a building)
- a mandioquinha · arracacha, a root vegetable used in soups
- sem fôlego · out of breath
- torcer para · to support (a team)
- o de menos · the least of it, what matters least
- encostado · pushed to, not quite shut (a door)
- o quadril · hip
- fazer questão de · to insist on
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Wellington Souza tem vinte e seis anos, uma moto de segunda mão e uma de 4,92 no aplicativo. Ele sabe que esse número decide a vida dele: se cair abaixo de 4,8, o algoritmo começa a mandar e significa não pagar o em Guaianases. Por isso Wellington nunca atrasa, nunca reclama e nunca, em alguma, sobe até o apartamento do cliente. “Entrega é na ele repete, como se fosse uma oração.
Havia, porém, o seu Ademar. Toda noite, por volta das onze, chegava um do mesmo prédio antigo da Bela Vista: uma sopa de e um pudim. O prédio não tinha porteiro à noite, e o seu Ademar, que devia ter mais de oitenta anos, descia os quatro andares de escada, devagar, para buscar a sacola. Wellington esperava na calçada, impaciente, enquanto outros apareciam e sumiam da tela do celular.
“Você podia subir da próxima vez, né?”, disse o velho numa sexta-feira, sem “Essa escada tá cada dia mais comprida.” Wellington explicou que não podia, que as regras eram claras. O seu Ademar sorriu, pagou e, antes que o rapaz fosse embora, perguntou o nome dele, de onde ele era, se pro Corinthians. Foram três minutos de conversa. No dia seguinte, foram cinco.
Com o tempo, Wellington entendeu que a sopa era o de O seu Ademar era viúvo, o único filho morava em Toronto, e o único rosto que ele via durante o dia era o do entregador. Embora soubesse que cada minuto parado lhe custava dinheiro, Wellington começou a ficar um pouco mais. Contou da filha pequena, do sonho de fazer um curso técnico de eletrônica, do medo que sentia na Marginal em dia de chuva. O velho ouvia tudo como se não houvesse nada mais importante na cidade.
Numa terça-feira de julho, o chegou às onze, como sempre. Wellington tocou o interfone uma vez, duas, cinco. Nada. Ligou para o número do cliente e ouviu o telefone tocar lá em cima, pela janela aberta do quarto andar. O aplicativo já piscava em vermelho: “Entrega atrasada”. Se ele fosse embora naquele momento, ninguém o culparia. Ele olhou para a tela, olhou para a janela e tomou uma decisão que nenhuma regra previa.
A porta do prédio, como sempre, estava só Ele subiu os degraus de dois em dois e encontrou a porta do apartamento destrancada. O seu Ademar estava caído no chão da cozinha, consciente, pálido, com o num ângulo estranho. “Eu sabia que você vinha”, murmurou. Wellington ligou para o SAMU, segurou a mão do velho e não a soltou até a ambulância chegar, quase uma hora depois. Naquela noite, ele perdeu quatro corridas e foi avaliado com uma estrela por um cliente que esperou demais pelo hambúrguer.
Duas semanas mais tarde, recebeu uma mensagem do filho de Toronto. O pai tinha operado o e ia ficar bem; agora haveria uma cuidadora em casa. No fim, o filho perguntava quanto custava o tal curso de eletrônica, porque de pagá-lo. Wellington leu a mensagem três vezes, parado num sinal da avenida Paulista. Naquela semana, a dele caiu para 4,89. Mesmo assim, ele diria depois que nunca tinha sido tão bem avaliado na vida.
Comprehension check
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1. Why does Wellington care so much about his rating?
2. What did Wellington slowly understand about seu Ademar's orders?
3. What happened on the Tuesday in July?
4. What did seu Ademar's son offer to do?