Short story
Mistério no trem da serra
On the scenic train from Curitiba to Morretes, a retired teacher who loves crime novels finally gets a real case to solve.
Tap a dotted word for its meaning.
Words to know (12)
- aposentar-se · to retire
- o tricô · knitting
- debruçar-se · to lean over
- o vagão · railroad car
- o fiscal · inspector, conductor
- ajeitar · to adjust, straighten
- a pasta · briefcase
- o enjoo · motion sickness, nausea
- constrangido · embarrassed
- arder · to burn
- enroscado · tangled
- o novelo · ball of wool
Select any text to highlight it, or a word to translate it or save it to your flashcards.
Dona Iolanda Teixeira tinha lido mais de trezentos romances policiais desde que se como professora de química, e sempre achou que, se tivesse a oportunidade, seria uma detetive excelente. A oportunidade apareceu num sábado de abril, no trem que desce a Serra do Mar, de Curitiba até Morretes, entre túneis, pontes e um mar de mata atlântica que parece não ter fim.
Ela viajava sozinha, com o no colo, quando a moça do banco da frente soltou um grito. “Meu colar! Alguém roubou o meu colar!” Era uma moça de uns trinta anos, chamada Priscila, que minutos antes tinha se sobre o banco de Dona Iolanda para fotografar uma cachoeira do lado esquerdo. O colar, de ouro, tinha sido da avó dela. “Eu estava com ele quando a gente saiu de Curitiba, juro!”
O inteiro ficou agitado. O do trem pediu calma e disse que, assim que chegassem a Morretes, a polícia seria chamada. Dona Iolanda, porém, não pretendia esperar. Guardou as agulhas, os óculos e começou a observar os passageiros como se fossem personagens de um livro: um casal de aposentados de Londrina, um rapaz de mochila que não tirava os fones do ouvido e um senhor de terno, nervoso demais para quem estava num passeio turístico.
Durante o túnel mais longo, ela notou que o senhor de terno tinha ido duas vezes ao banheiro. Também reparou que ele segurava a com força, como se carregasse algo precioso. Quando o trem parou numa curva para os turistas tirarem fotos, ela se levantou e anunciou, com a voz que usava para acalmar turmas de quarenta adolescentes: “O colar está na daquele senhor.” O homem ficou vermelho, o pediu que ele abrisse a e todos se inclinaram para ver.
Dentro da havia apenas contratos, um sanduíche de mortadela e um frasco de remédio para O senhor, explicou que tinha pavor de altura e que só tinha aceitado a viagem porque a filha insistira. Ia ao banheiro para não ver os precipícios. Alguns passageiros riram, outros olharam para Dona Iolanda com reprovação. Ela pediu desculpas e voltou para o seu lugar, com o rosto
Foi só em Morretes, quando o trem já estava parado e ela recolhia o que sentiu algo frio entre os fios de lã. Puxou devagar e lá estava ele: o colar de ouro, no azul. Devia ter caído quando Priscila se para fotografar a cachoeira. Por um segundo, Dona Iolanda pensou que seria muito mais fácil se ninguém ficasse sabendo. Poderia deixar o colar discretamente no banco e ir embora.
Mas uma detetive de verdade, pensou ela, não esconde provas, muito menos as que a deixam em má situação. Foi até a plataforma, onde Priscila conversava com dois policiais, e estendeu o colar. “Encontrei o culpado”, disse. “Era o meu Por um instante ninguém falou nada. Depois Priscila começou a rir tanto que precisou se sentar. O senhor de terno também riu, aliviado. No fim, os três almoçaram juntos um barreado num restaurante perto do rio, e Priscila fez questão de pagar a sobremesa da detetive.
Comprehension check
0/4 answered
1. What was Dona Iolanda's job before she retired?
2. Why did the man in the suit keep going to the bathroom?
3. What did Iolanda think of doing for a second when she found the necklace?
4. Where had the necklace been all along?