Short story
O papagaio testemunha
In Manaus, a detective investigates a burglary whose only witness is a forty-year-old parrot that keeps repeating one sentence.
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Words to know (12)
- abafado · muggy, stifling
- assaltar · to rob, burglarize
- a herança · inheritance
- o arrombamento · break-in, forced entry
- abalado · shaken, upset
- o cofre · safe
- o poleiro · perch
- o cúmplice · accomplice
- recair sobre · to fall on (of suspicion)
- pigarrear · to clear one's throat
- o arrepio · shiver
- a dívida · debt
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A investigadora Tainá Batista já tinha interrogado traficantes, políticos e um falso padre, mas nunca um papagaio. O caso chegou numa quinta-feira de Manaus: o apartamento de seu Osvaldo Menezes, no bairro de Adrianópolis, tinha sido durante a tarde. Levaram uma coleção de moedas de ouro do tempo da borracha, da família, avaliada em mais de oitocentos mil reais. Não havia sinal de e a única testemunha era Chico, um papagaio de quarenta anos.
Seu Osvaldo, um senhor elegante de bigode branco, recebeu Tainá na sala, ainda Contou que tinha saído às duas da tarde para ir ao médico e que, ao voltar, encontrou o aberto. “Quem fez isso conhecia a casa”, disse. “Sabia onde ficava o e quando eu ia sair.” Enquanto ele falava, Chico andava de um lado para o outro no e repetia, com voz grossa: “Tá limpo, pode subir. Tá limpo, pode subir.”
“Ele não para de falar isso desde ontem”, explicou seu Osvaldo. “Deve ter ouvido o ladrão.” A frase parecia vir de uma conversa ao telefone, como se alguém avisasse um de que o caminho estava livre. A primeira suspeita sobre o porteiro, Wellington, que tinha acesso às câmeras do prédio. Por coincidência, as câmeras do corredor estavam desligadas naquela tarde. Wellington jurou inocência, quase chorando.
Tainá, no entanto, não estava convencida. Passou a tarde seguinte no apartamento, observando o papagaio, enquanto um colega revisava as contas bancárias de todo mundo. Descobriu coisas curiosas sobre Chico: ele não imitava apenas palavras, imitava vozes. Fazia a campainha, o latido do cachorro do vizinho, a tosse da faxineira. Era, nas palavras da investigadora, um gravador com penas.
Foi então que seu Osvaldo, ao atender o celular na varanda, tossiu duas vezes, e disse a alguém: “Pode deixar, tá tudo certo.” Da sala, Chico tossiu duas vezes, exatamente do mesmo jeito e completou, com a mesma voz grossa: “Tá limpo, pode subir.” Tainá sentiu um A voz que o papagaio vinha repetindo não era a de um estranho. Era a do próprio dono.
O colega confirmou o resto em poucas horas. Seu Osvaldo tinha de jogo enormes e, dois meses antes, vendera parte das moedas a um colecionador de São Paulo. As moedas, porém, não eram só dele: eram uma dividida com a irmã, que morava em Belém e queria vendê-las para pagar o tratamento do marido. Quando ela anunciou que viria buscar a sua parte, Osvaldo inventou o assalto, desligou as câmeras com a ajuda de um técnico e, ao telefone, avisou o comprador de que podia subir para levar o resto.
Diante das provas, ele confessou sem muita resistência. Wellington voltou para a portaria, recebido com aplausos pelos moradores. A irmã de seu Osvaldo recuperou o que ainda não tinha sido vendido, e Chico, por decisão da família, foi morar com ela em Belém. No relatório final, Tainá escreveu uma frase que o delegado mandou apagar, mas que ela guardou numa cópia: “Neste caso, a única testemunha que não mentiu foi o papagaio.”
Comprehension check
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1. What was stolen from the apartment?
2. Why did suspicion first fall on the doorman?
3. What did Tainá discover about Chico?
4. Why did Osvaldo fake the burglary?