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Short story

O caso das galinhas

In a small town in Minas Gerais, someone is stealing the hens of the mayor's mother-in-law, and the whole town takes sides.

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Words to know (12)
  • o delegado · police chief
  • a sogra · mother-in-law
  • a cerca · fence
  • o galinheiro · henhouse
  • a fofoca · gossip
  • a armadilha fotográfica · camera trap
  • o bicho do mato · wild animal
  • amarrar · to tie
  • a goiaba · guava
  • o lobo-guará · maned wolf
  • alaranjado · orange-colored
  • o fubá · cornmeal

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Em São Bento das Pedras, uma cidadezinha do sul de Minas com quatro mil habitantes e duas padarias, o Josias Andrade estava acostumado a casos simples: uma briga de bar, uma bicicleta sumida, um cachorro que mordeu o carteiro. Por isso, quando Dona Zilda entrou na delegacia jurando que alguém estava roubando as suas galinhas, ele quase riu. Quase. Dona Zilda era a do prefeito.

“Já levaram sete, doutor”, disse ela, contando nos dedos. “Sempre de madrugada, sempre sem barulho. E eu sei muito bem quem foi.” Segundo ela, o culpado só podia ser o vizinho, seu Hélio, com quem ela não falava desde 1998 por causa de uma Seu Hélio, por sua vez, jurou por todos os santos que não chegaria perto daquele nem que lhe pagassem.

A história se espalhou mais rápido que de missa. Em poucos dias, a cidade estava dividida entre os que acreditavam em Dona Zilda e os que defendiam seu Hélio. Na padaria de cima, só se falava das galinhas; na de baixo, também, mas com outra opinião. O prefeito ligou duas vezes para saber como andava a investigação. Josias, que preferia pescar a investigar, começou a perder o sono.

Foi a sobrinha dele, Camila, que estudava biologia em Lavras, quem sugeriu uma solução. “Tio, por que você não instala uma A gente usa na faculdade pra estudar do mato. Ela tira foto sozinha quando alguma coisa se mexe.” Josias achou a ideia moderna demais, mas estava desesperado. Na sexta-feira, Camila veio com a câmera e a num pé de de frente para o

Na segunda-feira de manhã, Dona Zilda contou mais uma galinha a menos, e Josias foi buscar o cartão de memória com o coração na boca. Se a foto mostrasse seu Hélio, haveria uma guerra na cidade. Se não mostrasse nada, ele seria motivo de piada até o fim da vida. Camila abriu o arquivo no computador da delegacia, e os dois ficaram olhando a tela em silêncio.

Às três e quinze da madrugada, um animal alto, de pernas compridas e finas, pelo e orelhas enormes, aparecia saindo do com uma galinha na boca. “É um gritou Camila, emocionada. “Tio, você sabe como é difícil fotografar um desses?” Josias não sabia, mas entendeu pelo menos uma coisa: ninguém ia ser preso.

A foto foi parar no jornal da região e, depois, nas redes sociais. Pesquisadores vieram de Belo Horizonte, a prefeitura ajudou Dona Zilda a construir um mais seguro, e a escola fez um mural com o lobo pintado. O mais surpreendente, porém, aconteceu num domingo, quando Dona Zilda atravessou a rua e levou um bolo de para seu Hélio. “Eu fiquei vinte e seis anos sem falar com você por causa de uma disse ela. “Achei que te devia pelo menos um bolo.” Ele aceitou, e a cidade, pela primeira vez em muito tempo, ficou sem assunto.

Comprehension check

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1. Why did Josias not laugh at Dona Zilda's complaint?

2. Whom did Dona Zilda accuse?

3. What did Camila suggest?

4. What happened between Zilda and Hélio at the end?