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Short story

Neve encomendada

In a future where the snow in Brazil's mountain towns is made to order, a technician has a night when the machines break down during the winter festival.

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Words to know (12)
  • o floco · flake
  • a nevasca · snowfall, snowstorm
  • o cenógrafo · set designer
  • o confete · confetti
  • dobrar · to double
  • o gerador · generator
  • a manchete · headline
  • o poste · lamppost
  • escorrer · to run down, trickle
  • derreter · to melt
  • a luva · glove
  • demitir · to fire, dismiss

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Desde que a última neve de verdade tinha caído em São José dos Ausentes, em 2041, a Serra Gaúcha dependia da Central Climática de Gramado para manter vivo o turismo de inverno. Todo mês de julho, os drones da central espalhavam partículas nas nuvens, e uma neve fina, perfeitamente calculada, cobria as ruas por três ou quatro horas, sempre nos fins de semana, sempre depois das seis da tarde, para que os turistas pudessem tirar fotos com luz bonita.

Gustavo Pereira trabalhava na central fazia onze anos. Era ele quem programava a densidade dos a duração das até o tamanho dos cristais. Gostava do trabalho, mas às vezes se sentia um Quem mais o fazia pensar nisso era seu Arno, um meteorologista aposentado de oitenta e quatro anos, neto de alemães de Nova Petrópolis, que passava as tardes na praça reclamando. “Isso aí não é neve”, dizia ele a quem quisesse ouvir. “É gelado.”

Naquele ano, o prefeito queria mais. Exigiu que a central garantisse neve contínua durante os dez dias do festival de inverno, mesmo que isso significasse o consumo de energia. Gustavo avisou que seria arriscado: se as nuvens fossem manipuladas por tanto tempo, o equilíbrio da região poderia ser afetado. O prefeito respondeu que, se não houvesse neve, não haveria turistas, e se não houvesse turistas, talvez não houvesse central.

Na terceira noite do festival, um dos falhou. Às sete horas, com a praça cheia de gente esperando, os painéis da central ficaram vermelhos, e Gustavo foi obrigado a desligar todo o sistema. Não haveria neve naquela noite. Ele saiu da sala de controle já imaginando a ligação furiosa do prefeito, as reclamações nas redes, as Ficou parado na porta do prédio, sem coragem de atender o celular, que vibrava sem parar no bolso.

Foi então que sentiu algo frio no rosto. Depois outra vez. Olhou para cima e viu, sob a luz dos grossos e irregulares caindo devagar, sem pressa nenhuma, como se não tivessem horário a cumprir. Checou o painel no celular: todos os drones estavam no chão. Aquela neve não era dele. Pela primeira vez em dezessete anos, estava nevando de verdade na Serra.

Na praça, os turistas aplaudiam sem perceber diferença alguma. Mas Gustavo encontrou seu Arno sentado no banco de sempre, com o chapéu coberto de branco e lágrimas pelo rosto. “Tá vendo?”, disse o velho, estendendo a mão aberta para pegar os “Cada um é de um jeito. Os seus são todos iguais.” Gustavo se sentou ao lado dele e ficou calado, observando os cristais na

No dia seguinte, apresentou ao prefeito um relatório que ninguém esperava. Propôs que a central reduzisse a neve artificial pela metade e anunciasse, com orgulho, as noites em que não haveria nenhuma. “Se a gente parar de mexer tanto nas nuvens”, escreveu, “talvez elas voltem a fazer isso sozinhas.” O prefeito achou a ideia uma loucura e quase o Dois invernos depois, quando a neve natural voltou a cair três vezes na mesma temporada, mandou fazer uma placa na praça com o nome de seu Arno.

Comprehension check

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1. What did seu Arno think of the snow made by the center?

2. What did the mayor demand that year?

3. How did Gustavo know the snow on the third night was natural?

4. What did Gustavo propose in his report?