Short story
O caderno de Dona Shizue
Clearing out her Japanese grandmother's house in the Vale do Ribeira, a young woman finds a notebook full of numbers she cannot read.
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Words to know (12)
- o caqui · persimmon
- esvaziar · to empty, clear out
- desbotado · faded
- o navio · ship
- a passagem · ticket (for a journey)
- economizar · to save (money)
- a colheita · harvest
- sobrar · to be left over
- riscado · crossed out
- torto · crooked, uneven
- antiquado · old-fashioned
- às pressas · in a hurry
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Quando Dona Shizue Tanaka morreu, aos noventa e quatro anos, deixou para a família uma casa em Registro, no Vale do Ribeira, um pé de que dava mais frutas do que alguém conseguia comer e uma caixa de lata cheia de cadernos. Coube à neta, Mariana, a tarefa de a casa. Ela tinha trinta e dois anos, morava em São Paulo e, como a maioria dos netos, não sabia ler japonês.
Os cadernos eram quase todos receitas e contas de casa. Um deles, porém, era diferente: capa azul páginas cheias de números organizados em colunas e uma única palavra no alto da primeira página, em letras japonesas que se repetiam no topo de todas as outras. Mariana fotografou algumas páginas e levou para Dona Emiko, uma vizinha da avó que tinha chegado do Japão no mesmo em 1958.
Dona Emiko pôs os óculos, olhou a primeira página e ficou um tempo em silêncio. “Aqui está escrito disse finalmente. de volta.” Explicou que muitas famílias japonesas tinham vindo para o Brasil achando que ficariam só alguns anos, o tempo de juntar dinheiro e voltar. Durante décadas, a avó de Mariana tinha anotado cada centavo para comprar a de de volta para Fukuoka.
Mariana voltou para a casa da avó e leu os números com outros olhos. Ali estavam os anos difíceis da plantação de chá, as boas e ruins, os meses em que não nada. Os valores cresciam devagar, mudando de moeda a cada plano econômico. Em 1979, a soma finalmente era suficiente. Mas o número estava com uma linha firme, e ao lado havia uma anotação em português, na letra da avó: “Universidade da Keiko”.
Keiko era a mãe de Mariana, a primeira da família a entrar na faculdade. Mariana sabia que a mãe tinha estudado farmácia na USP e que, na época, ninguém entendia de onde viera o dinheiro para pagar o aluguel e os livros em São Paulo. Agora entendia. A avó tinha trocado a viagem de volta pelo futuro da filha, sem contar a ninguém. Quando Mariana ligou para a mãe e leu a anotação, ouviu do outro lado da linha um silêncio longo, depois um choro baixinho.
Havia, porém, uma última página, e foi ela que mais surpreendeu as duas. Em 1991, quando muitos descendentes começaram a ir trabalhar no Japão, Dona Shizue tinha voltado a A coluna subia até 1993 e terminava com uma única frase em japonês. Mariana levou o caderno de novo para Dona Emiko, que leu, sorriu e balançou a cabeça. “Ela foi, sim”, contou. “Passou duas semanas em Fukuoka. Disse que a cidade estava irreconhecível e que todo mundo achava o japonês dela
“E o que está escrito no fim?”, perguntou Mariana. Dona Emiko passou o dedo devagar sobre as letras. “Está escrito assim: fui visitar a minha terra e descobri que a minha casa é aqui.” Naquela noite, Mariana não mais nenhuma gaveta. Ela se sentou debaixo do pé de com a mãe, que tinha vindo de São Paulo às e as duas ficaram até tarde abrindo os outros cadernos, como quem procura pessoas e não papéis.
Comprehension check
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1. Why did Mariana take photos of the notebook to Dona Emiko?
2. What was the grandmother saving money for?
3. What happened to the savings in 1979?
4. What did the grandmother conclude after her visit to Japan in the 1990s?