Short story
O Olheiro
In a fishing village in Florianópolis, an old mullet spotter with failing eyes is replaced by his grandson's drone.
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Words to know (12)
- a tainha · mullet (fish)
- o cardume · school of fish
- o olheiro · lookout who spots the fish
- a safra · season, harvest
- o lanço · cast of the net, haul
- dar pro gasto · to be good enough
- tolo · silly, foolish
- cochilar · to doze
- a garoa · drizzle
- o cerco · encircling of the fish with the net
- o rancho de pesca · fishermen's boat shed
- o chiado · hiss, sizzle
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Na Barra da Lagoa, em Florianópolis, maio não é um mês, é uma espera. Quando o vento sul começa a soprar e a água esfria, os pescadores puxam as canoas para a areia, conferem as redes e ficam olhando o mar como quem espera visita. A está chegando. Vem do Sul em tão grandes que escurecem a água, e quem a vê primeiro não é pescador: é o
Seu Aldo foi durante quarenta e três Do alto do morro, sentado numa pedra, passava o dia inteiro com os olhos apertados, lendo o mar. Quando via a mancha (uma sombra que se movia contra o vento, uma ondulação diferente, um brilho prateado), levantava os braços, gritava e agitava um pano branco. Lá embaixo, trinta homens largavam o café, pulavam nas canoas e cercavam o com a rede. Um bom podia render dez mil peixes.
Mas naquele ano Seu Aldo estava com setenta e nove anos e uma catarata no olho esquerdo. O direito, dizia ele, “dava pro A associação dos pescadores decidiu, numa reunião em que ninguém teve coragem de olhar para ele, que era hora de modernizar. O neto dele, Kauã, tinha comprado um drone com câmera, e o drone ia fazer o trabalho do
“Tu vai botar um mosquito de plástico pra ver perguntou Seu Aldo quando soube. “Mas tu tá rapaz.” Não discutiu mais. No primeiro dia da subiu o morro mesmo assim, com uma garrafa térmica de café e um pano branco no bolso, e sentou na pedra de sempre. Ninguém tinha pedido que fosse. Ninguém teve coragem de pedir que não fosse.
O drone funcionou muito bem por uma semana. Kauã ficava na areia, de óculos escuros, olhando a tela do controle, e anunciava os com a voz de quem narra futebol. Os pescadores, desconfiados no início, começaram a gostar. Seu Aldo, lá em cima, não abria a boca. Às vezes Às vezes olhava o drone passar zumbindo e cuspia de lado.
No oitavo dia, veio uma frente fria com e vento forte. O drone subiu, balançou, foi jogado para o lado e precisou voltar antes que caísse na água. Kauã tentou de novo, duas vezes. Na terceira, a bateria acabou. Na praia, os homens se entreolhavam: com aquele tempo, dizia a experiência, a vinha colada na costa, e um que passasse sem ser visto era um mês de salário perdido.
Foi então que alguém olhou para o morro. Seu Aldo estava de pé. Não gritou, não acenou logo; ficou parado, com a mão em cima do olho bom, por um tempo que pareceu muito longo. Depois tirou o pano branco do bolso e começou a agitá-lo com uma força que não combinava com a idade, apontando para a ponta das pedras, onde o mar parecia exatamente igual ao resto do mar.
Os pescadores hesitaram um segundo, um só, e correram para as canoas. O foi feito na chuva, aos gritos, com a rede pesando como se tivesse areia dentro. Quando a puxaram para a praia, havia mais de seis mil se debatendo, prateadas, e a vila inteira desceu para ajudar a recolher.
À noite, no de pesca, Kauã perguntou ao avô como ele tinha visto o com uma catarata e debaixo de Seu Aldo demorou a responder. “Eu não vi”, disse, por fim. “Eu ouvi. quando vem muita, faz um na água, que nem óleo na frigideira. Só que pra ouvir isso, meu filho, tu tem que ficar quieto lá em cima uns quarenta anos.” E pediu mais um café.
Comprehension check
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1. What does the olheiro do?
2. Why did the fishermen's association replace Seu Aldo?
3. What happened to the drone on the eighth day?
4. How did Seu Aldo find the school of fish?