Short story
O Relógio da Estação
After the last train leaves a small town in Minas Gerais in 1971, the old station master keeps coming to work every morning.
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Words to know (12)
- o agente da estação · station master
- o livro de ocorrências · logbook
- o quepe · uniform cap with a visor
- o ramal · branch line
- o prejuízo · financial loss
- a sucata · scrap metal
- dar corda · to wind (a clock)
- a bilheteria · ticket office
- o desapego · detachment
- o despertador · alarm clock
- desencontrar-se · to fail to meet, miss each other
- o mostrador · clock face
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O último trem passou por Ribeirão das Graças numa sexta-feira de agosto de 1971, às quatro e dezessete da tarde, com três minutos de atraso. Seu Geraldo, da estação havia vinte e dois anos, anotou o horário no livro de como fazia com todos os trens, e embaixo escreveu, com sua letra redonda de escola rural: Último. Depois fechou o livro, tirou o e ficou na plataforma até que a fumaça sumisse atrás do morro do cemitério.
A Rede Ferroviária tinha decidido que aquele dava Os trilhos foram arrancados no ano seguinte e vendidos como a estrada de terra que ligava a cidade a Divinópolis foi asfaltada, e o ônibus passou a fazer em duas horas o que o trem fazia em cinco. Ninguém, para falar a verdade, sentiu muita falta. Ninguém, menos Seu Geraldo.
Ele foi transferido para um cargo de escritório em Belo Horizonte, recusou, aposentou-se e continuou morando na casinha da estação, que a Rede, distraída, nunca pediu de volta. E todos os dias, às seis da manhã, abria as portas da estação vazia, varria a plataforma, tirava o pó do banco de madeira e subia numa escadinha para dar no grande relógio redondo pendurado sobre a Fazia isso de
A cidade achou graça no começo, depois achou triste, depois parou de achar qualquer coisa. Os meninos o chamavam de Seu Trem. As mães usavam o nome dele como ameaça: “Se não estudar, vai acabar varrendo estação sem trem.” O padre tentou conversar com ele, uma vez, sobre o às coisas deste mundo. Seu Geraldo ouviu tudo com educação mineira, serviu um café e, no dia seguinte, deu no relógio às seis, como sempre.
“Uai, mas pra que isso, Geraldo?”, perguntou certa vez o compadre Tião, no bar. “Não passa trem aqui há vinte anos.” Seu Geraldo demorou a responder, mexendo o açúcar no copo. “Trem não passa, não”, disse. “Mas a hora passa. Alguém tem que cuidar dela direito.” Tião repetiu a frase no bar a semana inteira, como piada. Só anos depois é que a repetiria de outro jeito.
Seu Geraldo morreu em março de 2003, dormindo, aos oitenta e seis anos. O enterro foi pequeno: o compadre, duas vizinhas, o padre, alguns curiosos. Ninguém pensou no relógio. Ele parou dois dias depois, numa quinta-feira, às onze e quarenta e um da manhã.
Foi aí que a cidade descobriu uma coisa que não sabia de si mesma. A padaria abria quando o relógio da estação marcava cinco e meia; o padeiro, que não tinha olhava pela janela. A escola tocava o sinal pelo relógio da estação, visível do pátio. O ônibus para Divinópolis saía pelo relógio da estação. As comadres marcavam o almoço, os namorados marcavam encontros, o farmacêutico fechava a porta, tudo pelo relógio da estação, que não tinha atrasado um minuto em trinta e dois anos. Ninguém tinha percebido, porque ninguém precisava perceber: Seu Geraldo percebia por todos.
Durante uma semana, Ribeirão das Graças viveu fora do tempo. O pão saiu tarde, a missa começou cedo, dois noivos quase se na porta da igreja. No sábado seguinte, Tião apareceu na estação com uma escadinha, subiu tremendo, achou a chave atrás do e deu no relógio, acertando-o pela hora do rádio. Desceu, tirou o boné e ficou ali um tempo, olhando para os trilhos que não existiam mais.
Hoje, quem dá no relógio é o neto de Tião, que vai à estação todos os dias às seis da manhã antes da escola, a mando do avô. Não usa Mas, se algum turista pergunta por que cuidam tanto de um relógio numa estação sem trem, ele responde do jeito que aprendeu, com a seriedade de um ferroviário: “Trem não passa, não. Mas a hora passa.”
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1. Why was the railway line closed?
2. What did Seu Geraldo do every morning after the line closed?
3. What did the town discover when the clock stopped?
4. What does Tião's grandson tell tourists?